Entrevista a Beatriz Coelho, vencedora da melhor tese de mestrado europeia atribuída pela FEMS

Beatriz Coelho, venceu o Prémio melhor tese de mestrado europeu atribuído pela FEMS com o trabalho: “The Digital Microfluidics Platform for Loop-Mediated Isothermal Amplification of DNA”. Numa pequena entrevista, conta-nos como foi.

Como foi a experiência de participar no Junior EUROMAT em Budapeste e de representar Portugal e a SPM neste concurso para a melhor tese europeia?

Foi uma experiência única, em vários sentidos. Em primeiro lugar, é sempre uma responsabilidade imensa representar a minha Faculdade, mais ainda o meu País, principalmente sendo nós um país tão pequeno dentro da Europa. Para a fase de seleção nacional, depois de muito ponderar, decidi arriscar, não elevando muito as minhas expectativas, visto que tenho perfeita noção do excelente trabalho desenvolvido por colegas meus noutras Universidades nacionais. Para minha grande surpresa, ganhei o primeiro prémio a nível nacional, o que me proporcionou a oportunidade de contactar colegas europeus e conhecer o seu trabalho, para além de me permitir visitar um país perfeitamente desconhecido para mim, com uma cultura muito diferente da nossa.

Qual a sensação de ser a primeira vencedora deste prémio europeu?

Ao saber que tinha ficado em primeiro lugar, para além do enorme orgulho que senti, vi reconhecido todo o empenho e trabalho investido na minha tese, o que me deu ainda mais motivação para continuar com a minha investigação, e seguir para o doutoramento.

Em termos de aprendizagem, foi importante ter tido a oportunidade de participar no Junior EUROMAT?

Sim, claro! É sempre muito positivo conhecer o que de melhor se faz nos outros países, e também perceber que apesar do pouco que temos, conseguimos fazer muito. O Junior EUROMAT incluiu várias palestras que cobriram um vasto leque de temas associados às Ciências dos Materiais, e que sem dúvida alargaram os meus conhecimentos. 

Como considera o ambiente e atmosfera deste encontro?

A conferência Junior EUROMAT teve direito a um ambiente muito singular. Não só pelos participantes (maioritariamente jovens investigadores abaixo dos 30 anos), mas também pelo próprio local escolhido para alocar o evento: uma das maiores e mais conhecidas discotecas em Budapeste. Imaginem um coffee break após uma palestra numa cave cujo teto consistia numa piscina, com vista límpida para o céu e para as pessoas que circulavam no parque em torno da piscina. Tive ainda a oportunidade de conhecer imensos investigadores e até professores de várias áreas e com backgrounds muito diferentes, com os quais ainda mantenho contacto. 

Aconselha outros jovens alunos e investigadores a participarem?

Claro que sim. Vale sempre a pena tentar, e é sempre muito benéfico conhecermos outro tipo de trabalhos desenvolvidos na área, outras pessoas, outras culturas, outros países.

Que palavras deixa aos potencias concorrentes do prémio melhor tese SPM 2018 a ser atribuído no próximo dia Mundial dos Materiais que se comemora na FEUP?

Pensem na candidatura a este prémio como um bom investimento: não têm nada a perder, e tudo o que conseguirem é sempre um ganho. Talvez até conheçam o vosso futuro sócio para a start-up que vão criar!