À conversa com…Rafael Vieira, vencedor do Prémio Melhor Tese em Ciência e Engenharia de Materiais 2018

À Conversa com…

Rafael Vieira FEUP
vencedor do Prémio Melhor Tese de Mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais atribuido pela SPM com a tese “Numerical Micromechanical Analysis on the Influence of Monocrystalline Parameters on the Elastic and Yielding Response of Polycrystalline Aggregates”.

Fale-nos um pouco sobre si, quem é o Rafael?

De uma forma curta, diria que sou um jovem que, após ter obtido o grau de Mestre em Engenharia Mecânica (setembro de 2018), olha para o futuro na perspetiva de deixar uma marca positiva no mundo em que vivemos. Tenho a forte convicção que há muito a fazer, nomeadamente no sentido de contribuir para um planeta mais sustentável e igualitário, onde todos nós temos a responsabilidade de ser agentes da mudança. Faço questão de cumprir a minha parte e, para tal, não só estudei afincadamente ao longo do meu percurso na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, como também me envolvi em atividades extracurriculares que me enriqueceram bastante enquanto pessoa e cidadão. Neste contexto, é pertinente notar que todos os elementos da minha formação universitária concorreram para caminhar em direção ao atingir do objetivo que menciono acima, ainda que esteja seguro de que terei pela frente um longo caminho de modo a que consiga efetivamente contribuir para um planeta marcado por ações eticamente responsáveis, democráticas e livres.

O que o levou a escolher esta área da engenharia?

A escolha pelo curso de Engenharia Mecânica adveio, maioritariamente, do meu gosto pela Matemática e pela Física durante o ensino secundário. A verdade é que sempre tive grande interesse pelos materiais que nos rodeiam, mas também pela engenharia estrutural e pela utilização de formas de energia ditas renováveis. Ao mesmo tempo, pretendia adquirir uma maior literacia financeira, de tal modo que procurei selecionar um curso do Ensino Superior que me facilitasse aprender acerca de todos estes assuntos. Do “estudo de mercado” que fiz em 2013, concluí que o curso de Engenharia Mecânica na FEUP cumpria todos os requisitos, além que tinha o acrescento de ser um curso que pauta pela exigência (e como sou uma pessoa que gosta de desafios, este facto acabou por ser preponderante na decisão de optar por este curso).

O que significa para si ter sido o vencedor deste prémio atribuído pela SPM?

Após meses de trabalho muito intenso na minha dissertação de mestrado (e pelo facto de a mesma ter incidido sobre a caraterização da resposta mecânica de materiais metálicos), decidi candidatar-me ao prémio SPM atribuído pela Sociedade Portuguesa de Materiais. Encarei a minha candidatura ao referido prémio – o qual é extremamente prestigiado no campo da Ciência e Engenharia de Materiais – na perspetiva de divulgar o trabalho que tinha feito, mas também de poder receber feedback sobre o mesmo. Aconteceu que, não só o feedback que recebi foi bastante positivo, como também tive a possibilidade de vencer o referido prémio. É evidente que o reconhecimento do trabalho que desenvolvi durante a minha dissertação de mestrado (sob a orientação do professor Francisco Pires), ao ter recebido este prémio, é excelente a todos os níveis. Em particular, julgo que o facto de o prémio ter o selo da Sociedade Portuguesa de Materiais, é um enorme motivo de orgulho e satisfação. Além disto, pelo facto de as teses a concurso no concurso nacional terem um nível bastante alto, foi ainda mais reconfortante e gratificante ter saído vencedor da competição.

Quais as espectativas sobre a sua participação no concurso organizado pela FEMS para a melhor tese europeia?

Ter a possibilidade de participar no concurso a nível europeu, que se destina à distinção da melhor dissertação de mestrado sobre Ciência e Engenharia de Materiais, é uma grande oportunidade. Tenho a agradecer à Sociedade Portuguesa de Materiais esta possibilidade e, devo dizer, que é com grande expectativa que aguardo o FEMS MASTER THESIS AWARD. É inequívoco que seria excelente poder novamente arrecadar uma distinção, mas certo é que muito irei aprender com esta experiência. Há certamente excelentes trabalhos de mestrado realizados noutros países da Europa, e, apesar da valia do trabalho que desenvolvi, penso que é justo compremeter-me exclusivamente a representar da melhor forma a Sociedade Portuguesa de Materiais nesta competição europeia.